Aviz
«We have no more beginnings.» [ George Steiner ]
Setembro 15, 2005
Agosto 18, 2005
Aviz.

Como escrevi um dia, isto não merece grandes anúncios – o Aviz acabou. Não há grandes razões para isso. Simplesmente, não prolonga a sua temporada. E, terminando a sua temporada, sai como chegou – sem ruído. Daqui a uns tempos, umas semanas, haverá espaço para outra coisa (mantém-se o projecto do Gávea, porque se trata de um blog sobre livros brasileiros). Obrigado a todos os que fizeram links para o Aviz, a todos os que o leram e a todos os que enviaram comentários e mails. E também a todos os que discordaram e aos que concordaram (e com que concordei).
Desenvolvimento adequado do Algarve.
A ideia peregrina que aparece nas páginas do DN de hoje, defendida pelo presidente da Câmara de Lagos (acerca do Algarve) é para reter: «Também não podemos cair em fundamentalismos ambientais que impeçam um desenvolvimento adequado.» O desenvolvimento adequado do Algarve está aí à mosstra.
Mais bingo.
Depois de Duda Mendonça (campanhas de Lula e do PT) ter sido pago pelo PT nas Bahamas; depois de Antônio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, ter implicado o presidente do Banco Central, o ministro da Justiça e o PT; é agora a vez de outro doleiro, Vivaldo Alves, o Birigüi, dizer que Paulo Maluf também pagou a Duda Mendonça através do Citibank de Nova Yorque. O fabuloso Maluf apoiou Marta Suplicy na segunda volta das eleições em S. Paulo, contra José Serra.
A opinião de Hélio Schwartsman, da Folha.
Informação inocente.
Assassinato do prefeito de Sto. André, Celso Daniel, vai ser reaberto. Mais lenha para arder na sede do PT.
Agosto 17, 2005
Agosto 16, 2005
Árvores.
Insisto sempre, sobretudo para quem vive no Porto: passar pelo Dias com Árvores é uma obrigação.
Revista de blogs. Wagner em Bayreuth.
«[...] Kundry, Parsifal, Amfortas, Gurnemanz, uma loura nua da cintura para baixo, e outra loura, que na versão do ano passado representava a antiga amante de Titurel, este agora nem sequer aparece em cena e canta dos bastidores, a tal africana gorda e mamas monstruosas lá está deitada de pernas abertas como elemento representando a fertilidade e o Graal ele mesmo. Os elementos cénicos são tantos e tão dispersos na sua profusão que destroem toda a unidade cénica. Trágica esta destruição por um “intelectual” de qualquer unidade cénica e de qualquer representação artística das ideias de Wagner. Para escutar a música havia que fechar os olhos.»
[Sobre o Parsifal, de Wagner, direcção musical de Pierre Boulez e encenação de Christoph Schlingensief. No Crítico Musical.]
Aviso.
O departamento de saúde de Nova York pede disciplina dietética e moral anti-gordura aos restaurantes da cidade. O problema é se é apenas um começo.
Notícias da frente.
Denise Frossard, a deputada do PPS do Rio, sobre o dinheiro de Duda Mendonça entregue pelo PT nas Bahamas.
Notícias que abalaram o mundo.

Ela nunca leu um livro. «I haven't read a book in my life. I haven't got enough time.» Ele também já não marca golos.
Agosto 15, 2005
Frases que já não se podem ouvir.
O Carlos V.M. iniciou há pouco tempo uma nova série de posts: as frases que já não se podem ouvir. Continuem, por favor. Há uma lista para preencher.
Forra-gaitas, bertoldinhos e balhastreiras (*) (Actualizado)
O Filipe NV queixa-se de que, nesta altura, «todos se queixam do país que temos e que somos». E que aparecem forra-gaitas, bertoldinhos e balhastreiras, em colunas de jornal, vergastando o país. Meu caro Filipe: mas isso é um desporto nacional, a garantia de que o país existe mesmo, de que o primeiro-ministro pode continuar a telefonar sem correr o risco de encontrar a gravação «o número para o qual ligou não existe», a certeza de que podemos continuar a malhar nele sem sermos considerados estrangeiros. Mas eu compreendo; o Filipe refere-se aos que, há cerca de um ano, encontravam motivos para pensar que a Pátria, amada e decente, estava no bom caminho -- e que hoje, vendo o país a arder, choram amargamente o destino que nos está reservado. Ou seja, aqueles que, na época, nunca viram motivos para dizer «olha as nomeações para a Caixa!» e se acidulam hoje com as nomeações para a Caixa, suponho eu. Desvantagens, Filipe, de se ser um liberal à moda antiga.
(*) Bertoldo s.m. Indivíduo parvo, estúpido, palerma. Forra-gaitas s.2g.2n. Indivíduo avarento, sovina. Obrigado Antônio Houaiss.
Balhastreira não encontrei, caro FNV. Será balastreira, «que assenta o balastro», ou seja, o cascalho?
Afinal, F NV esclarece: «Balhastreira: eufemismo para "Puta" utilizado no Alentejo, aparentado (?) com o "bandarra" e "bruaca" brasileiros.» Cortesia do Heinz Kroll, O Eufemismo e o Disfemismo noPortuguês Moderno
Bringing it all back home, 5. (Actualizado)
A retirada unilateral de Gaza, aconteça o que acontecer nos próximos dias, é um acto de heroísmo e de dignidade. Por agora, é uma derrota sem vencidos, uma vitória sem vencedores. A dificuldade em compreender a grandeza dos acontecimentos explica o silêncio, mas as consequências fazem parte do médio-prazo.
Este post antigo, sobre alguns comentários a esta nota.
Agosto 14, 2005
Millôr.
Sobre Shakespeare: «Gosto de trabalhar com o português, embora inglês seja a que eu mais leio. Nunca tive temor de nada. Deve-se julgar as obras pelo que elas têm de qualidade, não por serem de fulano ou beltrano. Shakespeare fez muita besteira, mas tem três ou quatro obras perfeitas, e Macbeth é uma delas. Traduzi Shakespeare por ser do caralho, mas se me dessem algo ruim para traduzir, dizendo que era um pensamento dele ou de Confúcio, perguntaria se era mesmo dele ou de um completo idiota.» Portugal-Brasil: «Nem sempre é fácil entender um português e há filmes portugueses que só conseguimos ver com legendas. O que acontece é que temos dificuldade de entender o português de Portugal mais pela eufonia e pela prosódia que pelos vocábulos em si mesmos. Não sei se os portugueses passam pelo mesmo problema, mas o fato é que, até os anos 30, todo ator brasileiro imitava sotaque português para ser respeitado e, hoje, nossa influência em Portugal é total. A telenovela entra lá, e não adianta o intelectual português ficar contra, porque o povo acha engraçado o jeito de a gente falar, e termina copiando. Já usam expressões como "estou a dar a volta por cima, o pá!", lá do jeito deles, com sotaque, mas usam.» O estrangeirismo empobrece a língua portuguesa? «De maneira nenhuma. Antigamente, tivemos palavras como porta-seios, uma coisa muito feia, que felizmente foi substituída pelo galicismo "sutiã". Toda língua é invadida e, como mulher, fecundada. De vez em quando a nossa leva na bunda, mas nada que, lavada, não fique novinha. Houve tempo em que o galicismo era uma aberração. Não se podia escrever "amante", mas "amásia". Era assustador.» Os presidentes brasileiros a falar português: «Fernando Henrique diz besteiras o tempo todo. Como um cara inteligente diz que o povo deveria fazer checkup e que tem o pé na cozinha? Teria o pé na África e olhe lá. [...] Lula diz bobagens do tipo "as mulheres são desaforadas". Diz também sem saber o que está dizendo. Pensa que está elogiando, sendo engraçadinho, mas não tem noção das palavras. Ocorre que ele tem pronúncia até melhor que o FHC. [...] Já Sarney é o Lula em barroco. Escreve um romance débil mental e passa a ser considerado uma revolução nas letras nacionais.» Sobre Camões: «Veja, no entanto, um escritor como Camões. Ao se dirigir ao rei Dom Sebastião, o poeta afirma que "a disciplina militar prestante / não se aprende, senhor, na fantasia, / sonhando, imaginando ou estudando, / senão vendo, tratando e pelejando". Repare que ele não diz "tratando, pelejando e vendo" - pois seria o caso de um sujeito que sai na porrada sem pensar. Quem não sabe escrever não cria esse tipo de hierarquia, pouco importa.» Sobre Paulo Coelho: «Vende muito, mas é merecidamente desprezado porque faz uma merda de literatura.» Entrevista aqui.
Regresso do hooligan.

Uma boa notícia, com bons augúrios; o hooligan retoma o seu cantinho.
No Brasil, outra boa notícia e uma excelente (ah, maldade!); assim se conhecem os hooligans.
Agosto 13, 2005
Vai dar pizza. Vai dar sashimi. (Actualizado)
FBI chamado ao mensalão. E depois de Nelson Jobim, presidente do Supremo TF ter instado a Polícia Federal a não investigar e a fazer apenas o que se lhe pede, é a vez de a PF pedir ao STF para investigar coisas que lhe não tinham sido pedidas. Vai dar pizza? Vai dar sashimi?
De onde vieram os fundos para a campanha de Lula em 2002? «Duda Mendonça afirmou ter recebido em sua conta Dusseldorf, nas Bahamas, pagamentos relativos à campanha de 2002. A CPI ainda precisa descobrir a origem dos recursos que abasteceram esta conta. Sabe apenas que eles partiram de outras quatro fontes no exterior.»

«Ele não é o fraco, ignorante que todos imaginam. Ao contrário. Ele é brilhante, inteligente. E isso serve para o bem e para o mal. Mas, para muita gente, é melhor que o presidente apareça como fraco», Heloísa Helena.
Entrevista de Hélio Bicudo (83 anos, tem uma longa militância em favor dos direitos humanos, na qual se destaca o combate à ação do Esquadrão da Morte paulista, filiado há 25 anos no PT.) à Veja desta semana:
«Lula é um homem centralizador. Sempre foi presidente de fato do partido. É impossível que ele não soubesse como os fundos estavam sendo angariados e gastos e quem era o responsável. Não é porque o sujeito é candidato a presidente que não precisa saber de dinheiro. Pelo contrário. É aí que começa a corrupção. [...] Ele é mestre em esconder a sujeira embaixo do tapete. Sempre agiu dessa forma. Seu pronunciamento de sexta-feira confirma. Lula manteve a postura de que não faz parte disso e não abre espaço para uma discussão pública.» [Texto online através do blog do Noblat.]
«Brazil's Opposition Shelters President From Scandal, for Now», artigo de Larry Rohter, no The New York Times. (Anteriores textos de L.R., no NYT, aqui e aqui.)
Traições. (Actualizado)
E Lula, não deve dizer quem o traiu?
Ler este post.
Escreve Ricardo Noblat: «Sei que todo mundo gostaria que Lula identificasse aqueles que o traíram. Pois não foi isso o que ele disse ontem na Fala da Granja do Torto - que foi traído? Sinto muito, mas ele não poderá dar os nomes. Porque na verdade ele não foi traído. Delúbio, Sílvio "Land Rover", José Dirceu e outros menos citados agiram por delegação dele.»
Cristovam Buarque, que disse sair esta semana do PT.
Agosto 12, 2005
Tomás Eloy Martínez, «El Cantor de Tango».


«El sábado seguiente fue al almacén de Boedo. Cuando vio desplazarse a Martel hacia la tarima, junto al mostrador, incorpóreo como una araña, y lo oyó cantar, cayó en la cuenta de que se voz eludía todo relato porque ella misma era el relato de la Buenos Aires pasada y de la que vendría. Suspendida por un hilo tenue de los do y de os fa, la voz insinuava el degüello de los unitarios, la pasión de Manuelita Rosas por su padre, la revolución del Parque, el hacinamiento y la desesperanza de los inmigrantes, las matanzas de la Semana Trágica en 1919, el bombardeo de la Plaza de Mayo antes de la caída de Perón, Pedro Henríquez Ureña corriendo por los andenes de Constitución en busca de la muerte, las censuras del dictador Onganía al Magnificat de Bach y las hechicerías de Noé, Deira y De La Vega en el Instituto Di Tella, los fracasos de una ciudad que tenía todo y a la vez tenía nada. Martel la dejaba caer como un agua de mil años.»
Tomás Eloy Martínez, El Cantor de Tango (Planeta)
Notícias da frente. Pronunciamento.
Lula, na Granja do Torto, falou para a tv. Essencialmente: que se sente traído e que não sabia do que se passava. Questão de fé.
Cristovam Buarque deixa o PT («Ele disse esperar do presidente a declaração de que não disputaria a reeleição à presidência ou informasse que enviaria um projeto para acabar com o instituto da reeleição. Diante das declarações do presidente, Cristovam declarou que deixará o partido, mas só comunicará sua decisão oficialmente na próxima segunda-feira.»)
História deliciosa: lista de deputados que beneficiaram de Marcos Valério, foi forjada no parque de estacionamento do Senado, eliminava todos os deputados do PT e incluía de todos os outros partidos. O responsável pela tentativa, Paulo Pimenta (PT-RS) admitiu a fraude.
Ver este post, do Gândavo.
Notícias da frente. Más.

"Lula sabia do acordo de R$ 10 milhões com o PL"; "pedi ao Delúbio: cheque não. Me dá em dinheiro"; "reclamei com Dirceu que o dinheiro entrava pingado. Ele disse: calma, o Delúbio vai resolver"; "só recebi R$ 6,4 milhões. Estão colocando R$ 4 milhões a mais na minha conta".
Declarações de Valdemar Costa Neto, líder do PL, na edição da Época desta semana.
Ver os posts da Grande Loja.
Que tal o vinho?
O Pedro V. tem um blog que eu desconhecia até agora. Provas de vinho, muito pessoais e sem rococós, e com algumas cervejas pelo meio. Bebamos.
Notícias da frente. Más.



No Brasil, Hugo Chávez, presciente, diz que há uma conspiração da direita contra Lula; a direita (do PL, partido aliado de Lula, e grupo do seu vice Alencar) diz que Lula sabia; o PT chora e diz que os maus têm de ser punidos, enquanto o até agora intocado Palocci é citado na CPI dos bingos (a que liga Waldomiro Diniz a Dirceu, que está com a vida complicada também aqui). O presidente Lula, que se declara perplexo com as revelações, fala hoje, através da rádio; dirá que se sente traído. Uma sondagem atribui pela primeira vez vantagem a Serra, actual prefeito de São Paulo, no confronto com Lula.
Xanel
A Isabel abandonou o Xanel Cinco e criou o Miss Pearls. Escrevendo bem, como sempre, o que é uma bênção.
Revista de blogs. Teologia mínima.
«Matemático que afirmou ter demonstrado matematicamente a existência de Deus reconhece que errou nas contas.» [No Torneiras de Freud.]
E agora, Lula?
Duda Mendonça, o marqueteiro do PT, põe Lula em cheque. Depósitos na conta do publicitário foram feitos já em 2003, no primeiro ano do governo Lula. Fica a suspeita de que possam ter origem em dinheiro público.
(Na opinião geral do Congresso, Duda Mendonça 'livrou a cara' e 'jogou Lula e o PT na fogueira'.)
Duda confirma que Valério pagou festa da posse de Lula.
Agosto 11, 2005
É a vida.
Vendo bem, quem não obstruiu o caminho para tantas nomeações políticas desastradas no último governo, pode dizer o que lhe apetecer, mas não pode pôr-se em bicos de pés para criticar a nova administração da CGD.
A ler. «Liberal, de liberdade.»
O texto de Pacheco Pereira sobre quem exigiu a publicação dos estudos sobre a Ota e o TGV.
Sibilino.
Larry Rohter, o jornalista do The New York Times que Lula quis expulsar do Brasil, publica o primeiro artigo sobre a crise. Para quem esperava material explosivo, desilusão; o texto é mais sibilino: «Se há uma conspiração ocorrendo no país ela é comandada pela oposição e por grandes empresários de São Paulo» e tem como objectivo «manter Lula no poder e não tirá-lo».
Smoke.
Pobres, vilões, feios, sujos -- eles são os fumadores no cinema. Os glamorous and positive não fumam. «Almost half of all characters who smoked were in a lower socioeconomic class.»
A pedido.
A pedido do João P., que ameaçou com chantagem caso eu não comentasse o assunto: sim, eu penso que o Jorge Costa devia continuar na defesa do FC Porto. Por três motivos.
Agosto 08, 2005
Transparentes.
A propósito do Discovery, ontem, domingo, um jornalista de tv apresentava o site da Nasa sem se esquivar ao tradicional comentário: «É assim que os americanos vendem o seu peixe...» Ou seja, podíamos entrar no site da Nasa e saber vários megas de informação acerca da missão espacial. A piada vinha a propósito num país onde sabemos tudo sobre os estudos acerca do novo aeroporto da Ota, dos rankings das universidades, dos relatórios sobre os buracos do metro de Lisboa ou do Porto, enfim, sobre coisas públicas. Transparentes como nós não há. O site da Nasa é uma ninharia ao pé da nossa transparência.
Jabuti. Começou a corrida.
Está aqui a lista de nomeações para o Prémio Jabuti deste ano; começou a corrida. Dez livros brasileiros da temporada. Alguns menos.
Ensaio sobre a cegueira.
A questão, como escrevi aqui, ao contrário do que está sugerido em vários comentários neste blog, não é a intocabilidade ou a contaminação do presidente Lula. Lula é o menos, apenas um pormenor central. De resto, com o avolumar de notícias sobre as ramificações portuguesas no caso (que não são de estranhar), espero ser ilibado do terrível pecado de «inclinação ideológica». A questão não é que a Polícia Federal tenha ilibado Lula do caso; a questão é que ele tenha ocorrido nas barbas do presidente e que ele tenha afirmado que nada disso era importante. Cegueira é aquela que quer cegar toda a gente à volta.
Coisas.
Notícia da Veja desta semana e ainda mais recente. Mensalão ao rubro com janelas abertas para os dois lados do Atlântico.
Agosto 05, 2005
Mensal.
O Aviz acompanhou o mensalão brasileiro desde há meses -- antes de serem divulgados os seus contornos essenciais na grande imprensa. Durante dois meses, a imprensa portuguesa não mencionou o assunto, o que se compreende pela fidelidade a Lula, e só agora trata o tema. Estranho isto, agora que se desenha o mensalão português. Com todos os contornos visíveis por aí.
Agosto 04, 2005
Apoio.
Depois de jornais estrangeiros elaborarem sobre independência editorial para apoiarem a eleição de John Kerry, Gilberto Gil apoia Manuel Maria Carrilho (no Público de hoje).
Ideias sobre o terrorismo.
Chamo a atenção para o artigo sobre o assunto, de Francisco Seixas da Costa no Diário de Notícias.
Criticas. (Actualizado)
Críticas muito negativas ao novo livro de Rubem Fonseca no O Globo e na Veja.
Não há links para os textos.
Por gentileza do Francis C. Afonso, o texto da Veja está reproduzido aqui nos comentários.
Nao se pode virar as costas.
Dois dias sem blogar e é isto: o mensalão atinge as proporções previstas, tocando finalmente empresas portuguesas. O toque é acidental e tangencial. Mas há mais novidades a chegar, descansem.
Agosto 02, 2005
Notícias da frente.
O primeiro deputado brasileiro a cair foi Valdemar Costa Neto, líder do PL (partido do vice-presidente de Lula): renunciou ao mandato para não ser «cassado». Foi ele quem primeiro se insurgiu contra a existência do mensalão, sugerido por Roberto Jefferson, e convocou o conselho de ética. Pela boca morreu o primeiro peixe. Valdemar, cuja ex-mulher foi ouvida na CPI (onde mencionou a existência de uma operação Taiwan, a que convém prestar atenção) confirmou receber dinheiro do PT. No seu discurso de renúncia chamou Jefferson de delinquente.
Entretanto, promiscuidades familiares entre Dirceu e Valério. O ex-número dois do governo, Dirceu, admite igualmente renunciar ao mandato.
Agosto 01, 2005
Verissimo.
Sem exagero. Acaba de sair uma edição revista do primeiro romance de Luis Fernando Verissimo, O Jardim do Diabo (Objetiva). O texto de abertura está aqui, disponível. Exile and cunnilingus, diz ele.
Mais Rubem Fonseca.

O Bruno, do Leões de Tolstoi, acrescenta mais textos aos fragmentos do novo livro de Rubem Fonseca (Mandrake. A Bíblia e a Bengala, Companhia das Letras) publicados aqui, no Gávea.
Entretanto, pode ler a pequena nota sobre o livro, do Estadão, escrita pelo bom do Ubiratan. Ubiratan Brasil, aliás; não há nome mais brasileiro.
Julho 31, 2005
Vencidos da vida.
Tem toda a razão de ser a pergunta de Vasco Pulido Valente do Público de hoje: «Onde se meteu a gente dos 40 e 50 anos, que devia agora tomar conta do país, com força, com experiência e uma visão nova?»
E outras coisas.
1) Lula e o negócio do filho com a Telemar (que lhe ofereceu uma empresa com dinheiros públicos). Ler aqui como Lula sabia do negócio.
2) Escândalo já envolve 19 crimes. Ler aqui.
3) Lula e Dirceu (hoje na Folha, indisponível o online): «Não sei se teríamos conseguido fazer o que fizemos na nossa relação com o Congresso se a gente não tivesse a coordenação de um companheiro como o José Dirceu. (Dezembro de 2003)» / «Não sei todos os acordos que ele faz no Congresso. O fato concreto é que, nos momentos difíceis, o Dirceu, o presidente Sarney, os nossos líderes e o João Paulo, depois de tanta choradeira, me comunicavam: "Olhe, foi feito o acordo, vai votar amanhã e vai passar".» (via Noblat)
4) João Paulo Cunha (PT-SP), ex-presidente da Câmara [presidente do Parlamento], deverá ser o primeiro parlamentar ligado à lista de pagamentos de Marcos Valério de Souza a renunciar ao mandato. OESP de hoje.
Leia aqui a coluna de Elio Gaspari, no O Globo de hoje.
Coisas que só visto.

A Folha de São Paulo publica na edição deste domingo fotos atrevidas da secretária de Marcos Valério, Fernanda Karina Somaggio, uma das peças-chave do escândalo do mensalão. Havia rumores de que tinha sido convidada pela Playboy para posar nua. Link para o ensaio fotográfico.
Jornalismo & credibilidade. O Brasil no Aviz.
Alguns leitores e amigos têm escrito sobre a «cobertura» que o Aviz faz da situação brasileira. Não é coisa nova. Há anos que acompanho o assunto. A primeira vez que isso aconteceu foi na altura das Directas Já!. Não vale a pena contar mais. Tenho escrito bastante sobre o Brasil nos últimos vinte anos: gabo-me de ter chamado a atenção sobre muitos escritores brasileiros pela primeira vez em Portugal; e de conhecer o país (apenas não estive em Roraima, já agora); e de ter lido bastante. De vez em quando encontro outros entusiastas que também sabem que o Brasil não é só samba, musiquinha, futebol e praias (mas é também isso). Na literatura portuguesa dos finais do século XIX, o Brasil era tratado como «os brasis» -- tinham razão, eles. Os Brasis. O sul, o norte, o nordeste, a meia-norte, o sudeste, o sertão, as chapadas e os grandes rios, a floresta, a serra, o pampa, tudo. Uma das acusações que de vez em quando me fazem é a de que a minha informação está inquinada. O argumento usado é o de que cito muito a Veja. Não é verdade. Ambas as coisas não são verdade: 1) que eu cite muito a Veja; 2) que a Veja não seja credível. Eu tenho um caso com a Veja, sim, porque acho que a Veja é muito bem feita e raramente tem sido desmentida (ao contrário da Isto É, por exemplo) nas suas investigações. Quando era director da Grande Reportagem tínhamos um acordo de colaboração com a Carta Capital, por exemplo. Mas, embora conheça alguns repórteres da Veja e seja até leitor de Mário Sabino como romancista (ele é editor da revista), não cito muito a revista. Et pour cause. É uma guerra portuguesa, evidentemente (sobretudo quando as pessoas dizem, «ah, mas a Veja não é um modelo de jornalismo!»). Pelo contrário, et pour cause, cito bastante os três majors: OESP, Globo e FSP. Mas a lista de jornais que frequento está nos links do blog. Aí ao lado, em baixo. Embaixo. Não citarei a Caros Amigos, evidentemente, nem os jornais ligados a partidos e influências locais. Mas reservo-me o direito de ter as minhas próprias informações.
O caso brasileiro é complexo em Portugal e complexo na Europa. Tem Lula pelo meio. E tem a vitória da esquerda há dois anos. O caso brasileiro transformou-se numa questão de fé. No dia das eleições que deram a vitória a Lula, recordo como foi tratada na televisão portuguesa a única pessoa que declarou que não tinha votado Lula e que assumiu a sua desconfiança (curiosamente, foi um treinador de futebol, Marinho Peres -- todos os outros, desde sambistas de aluguer a actores falavam dos novos tempos que estavam aí, como uma promessa de paraíso): houve quem se risse dele, do desgraçado e incréu.
Bom. Eu sou incréu, na verdade. Reservo a minha fé para outras áreas e a minha credulidade para questões pessoais. Acompanho a política brasileira desde há vinte anos; vi as multidões em redor do funeral de Tancredo e também a vi em redor de Collor (à hora a que Collor era eleito, estava em Lisboa a entrevistar José Wilker, que votava Lula). Vi o impeachment de Collor. Sarney, Itamar, FHC, Lula. Fui parcial algumas vezes, sim. Confesso: nunca gostei de Collor nem de Itamar nem de Sarney (nem do que ele escrevia). Desconfiei da tucanagem como toda a gente, mas acho que o governo de FHC foi o melhor que pôde acontecer ao Brasil naquelas circunstâncias. Sim, li coisas inacreditáveis. Li até Frei Betto, imagine-se (mas também li Paulo Coelho…). Li a propaganda petista (inimaginável). Não interessa.
Mas sou incréu. Fui incréu em relação a Lula e previ que acontecesse isto. Escrevi-o antes das eleições, quando os jornais, as rádios, as televisões, tratavam Lula (em Portugal) como a segunda aparição da Virgem. Não era. Mas, à parte a parcialidade da minha própria opinião, não fui parcial nem escondi factos nas minhas reportagens, nem acrescentei outros.
Os políticos do centrão português veneram Lula por provincianismo, porque ele era o operário e o retirante que chegou ao Planalto. Há dois anos era difícil dizer mais do que isso. Eu disse e escrevi. Não escondi factos. Limitei-me a isso. Lembro-me de quando o Manuel Carvalho, num editorial do Público, logo na altura das eleições, chamava a atenção para as contradições do lulismo e do novo poder petista – e das muitas cartas de leitores indignados com o «soez ataque» a Lula e ao Brasil. Linchamento.
O que me interessa neste escândalo político actual no Brasil não é a derrota de Lula nem a queda do PT. Isso é o menos. Lula significou, para muitos brasileiros, a redenção por anos de humilhação diante das oligarquias. Eu compreendo isso. Claramente. Mas acho, a esta distância, que o Brasil precisava de passar por isto, para compreender que ética e política são coisas diferentes e que a esquerda brasileira não tinha o exclusivo da moral nem da ética. Nem era seu património.
Muitos mails dizem que este escândalo é inventado pela imprensa. Não é. É uma prova de que fé e política não funcionam juntos. E de que este escândalo revela até que ponto o PT se preparava para transformar o Brasil numa espécie de «México do PRI» com o apoio da imprensa aliada, do dinheiro e da lavagem ideológica permanente.
PS - Lembro quando comecei a chamar a atenção, em Portugal, para as crónicas de Diogo Mainardi e de como a reacção era violenta: escroto, escarro, era o que diziam. Mainardi é brilhante. «Ah, mas não é o Paulo Francis!» Quem disse isso? Mainardi foi o único que arriscou a cabeça e o emprego de colunista. Disse o que pensava e daquela maneira.
Julho 30, 2005
Novo Rubem Fonseca. Morram!

Novo romance de Rubem Fonseca, A Bíblia e a Bengala, com Mandrake (o advogado criminalista da sua obra-prima, A Grande Arte) como personagem principal. Morram de inveja porque o livro ainda não está em distribuição. Mas estão aqui extractos do romance em primeira mão.
Relatos da frente. (Actualizado)
Afinal é Dirceu que faz chantagem verdadeira, segundo parece e é publicado na edição da Veja de hoje; e sobre o próprio Lula. E, em relação a post anterior sobre assunto, agora é assessor de José Dirceu, o ex-número dois de Lula (e ex-funcionário dos serviços secretos cubanos) que confessa que também recebia de Valério.
Entretanto José Dirceu desmente a revista Veja. Aguarda-se o depoimento de Dirceu na próxima terça-feira, na CPI. Porque há um problema técnico.
NESTE DOMIGO: afinal é própria directora da agência de Marcos Valério que confirma a notícia da Veja. Tudo volta ao princípio. A Veja tinha razão.
Opacidade?
Caro Paulo: o problema não é apenas o da Ota e o dos seus relatórios secretos ou opacos (bondade tua, chamar-lhe opaco, ao processo). A questão está na ideia sobre a natureza do Estado. Desta vez não conhecemos os relatórios sobre o novo aeroporto (e eu creio que se devem ler com ironia as declarações de Fernando Pinto acerca desses relatórios); mas, antes, diz lá, quem é que achava que não se deviam divulgar relatórios sobre as universidades e as escolas públicas? Quem é que esconde relatórios e estudos sobre o prolongamento do metro em Lisboa? Onde estão os relatórios sobre as obras no Terreiro do Paço?
25 mil milhões de euros são ou não são dinheiro? Os contribuintes devem ser informados ou não? É estranho, ou não?
Mais dicionário de soundbytes, de Groucho.
Mais entradas no dicionário de soundbytes, de Osvaldo M. Silvestre, no Casmurro. Por exemplo: e-mail:
«1. Segundo o Dicionário da Academia, deve antes dizer-se «correio electrónico». Por exemplo: «Recebeste o meu correio electrónico, doçura?». 2. Os brasileiros chamam-lhe imeio e os espanhóis Emílio. Os portugueses chamam-lhe imeile. 4. Serve para tudo (amor, negócios, circulares, etc.), economiza em papel e selo e ainda permite que se lhe pendurem anedotas visuais sobre Bush (v.), Bin Laden (v.) ou Durão Barroso (v.) e fotos de mulheres nuas. 5. O problema vai ser depois, quando se quiser editar a «Correspondência Completa» dos escritores de hoje. Sobre este dilema filológico, consultar Ivo Castro.»
Traduções, 2.

O alfabeto. No Casmurro.
Contribuição de Abel Barros Baptista: «Consideremos a contribuição judaica, imprescindível. Sinais de baixo para cima, primeiro. Jacob era extremamente pobre. Nem tinha casa, vivia de ajudas esporádicas. Um dia, comprou um bilhete de lotaria e







